Cada tempo exige uma resposta das Relações Públicas: As transformações que levaram à RN dos Cursos Conexos

     A história das Relações Públicas no Brasil sempre caminhou junto das transformações da Comunicação, do ensino superior e das práticas profissionais. Em cada período, a profissão precisou responder a novos contextos acadêmicos, institucionais e de mercado, atualizando sua formação, suas atribuições e suas formas de atuação.

     A RN dos Cursos Conexos não surge como uma decisão isolada. Ela faz parte de uma trajetória construída ao longo de décadas, em que as Relações Públicas passaram por diferentes movimentos: primeiro, afirmando sua identidade dentro da Comunicação Social; depois, estruturando suas atribuições e diretrizes formativas; em seguida, acompanhando a reorganização dos cursos superiores; e, agora, ampliando o registro e preparando a revisão das atividades profissionais.

A origem comum na Comunicação Social

     Nas décadas de 1960, 1970 e 1980, a formação em Comunicação Social era organizada por currículos mínimos e habilitações. Relações Públicas, Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Produção Editorial, Radialismo e Cinema faziam parte de uma mesma estrutura acadêmica de origem comum. Nesse período, a resposta das Relações Públicas foi consolidar sua identidade dentro desse campo mais amplo da Comunicação.

     Ao mesmo tempo, a profissão também estruturava sua base legal. A Lei nº 5.377/1967 e o Decreto-Lei nº 63.283/1968 organizaram as atribuições profissionais de Relações Públicas, dando sustentação ao exercício regulamentado da área. A resposta institucional foi clara: afirmar que as RP tinham campo próprio, responsabilidades específicas e relevância profissional dentro da Comunicação.

A definição das atividades profissionais

     Com o amadurecimento da profissão, tornou-se necessário detalhar melhor o que caracterizava o exercício profissional das Relações Públicas. Em 2002, a Resolução Normativa nº 43 do CONFERP definiu funções e atividades privativas dos profissionais de Relações Públicas. Esse movimento representou uma resposta objetiva a uma necessidade do período: organizar as fronteiras da profissão e orientar o exercício profissional com mais clareza.

     Nesse tempo, a resposta das RP foi fortalecer seus parâmetros técnicos e éticos. O Sistema CONFERP–CONRERPs passou a atuar como eixo de orientação, fiscalização e referência institucional para a categoria, estabelecendo bases para que a profissão pudesse ser reconhecida não apenas pela formação acadêmica, mas também por suas atribuições e responsabilidades.

As Diretrizes Curriculares

     Em 2002, o CNE/MEC fixou as Diretrizes Curriculares Nacionais da área de Comunicação Social e suas habilitações, incluindo Relações Públicas, Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Cinema, Radialismo, Editoração, Comunicação Organizacional e outras. Esse marco mostrou que a Comunicação continuava sendo reconhecida como um campo amplo, com formações relacionadas e trajetórias acadêmicas próximas.

     Em 2013, outro movimento importante aconteceu: foram instituídas as Diretrizes Curriculares Nacionais específicas para o curso de graduação em Relações Públicas, com carga horária de 3.200 horas. A resposta das RP, nesse momento, foi fortalecer sua identidade formativa própria. A profissão passou a contar com uma referência acadêmica específica, consolidando seu lugar no ensino superior brasileiro.

A reorganização do Ensino Superior

     A partir de 2016, novas referências passaram a influenciar a leitura sobre formações em Comunicação. O Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia passou a reconhecer o curso de Comunicação Institucional, com 1.600 horas. Em 2018, a primeira classificação do CINE Brasil adotou somente o termo “Jornalismo” para a organização dos cursos superiores. Em 2019, após mobilização e pressão de entidades e associações da área, a Comunicação voltou a integrar oficialmente a classificação acadêmica.

     Esse ponto é central para entender a RN dos Cursos Conexos. O ensino superior passou a organizar a Comunicação de forma mais diversa, com novas nomenclaturas, novos formatos e formações que compartilham conteúdos e práticas próximas às Relações Públicas.

As análises técnicas

     Em 2019, a RN 99 criou a base normativa para o reconhecimento de cursos análogos ao bacharelado em Relações Públicas e para obtenção do registro profissional por egressos dessas formações. A partir de 2021, o CONFERP passou a operacionalizar essa análise por meio de comissões técnicas responsáveis por avaliar cursos superiores análogos ao bacharelado em Relações Públicas.

     Entre 2021 e 2023, as comissões aprofundaram esse processo, analisando cursos tecnológicos e bacharelados com proximidade curricular às RP e consolidando parâmetros de compatibilidade formativa para o registro profissional. Essa etapa mostra que a RN 132/2025 não surgiu de forma repentina, antes dela, o Sistema já vinha observando, avaliando e criando caminhos técnicos para compreender cursos análogos e conexos.

Os cursos conexos

     Em 2024, a RN 123 passou a tratar do registro profissional de egressos de cursos de RP e de cursos conexos a RP por demanda, mediante documentação. Em 2025, a RN 132 atualizou esse caminho, ampliando o registro profissional de cursos conexos para formações com origem comum na área de Comunicação.

     A resposta institucional nesse contexto é organizar o campo profissional a partir de uma realidade já observada na área da Comunicação. A RN 132/2025 reconhece que determinadas formações da Comunicação podem apresentar compatibilidade com o campo das Relações Públicas, desde que atendam aos critérios definidos pela norma para obtenção do registro profissional.

[Consulte a RN 132 aqui]

Uma resposta construída ao longo do tempo

     Cada tempo exigiu uma resposta das Relações Públicas. O papel do CONFERP é articular esses movimentos, traduzindo mudanças no ensino, na comunicação e nas práticas de atuação em critérios, normativas e orientações para a categoria. É assim que as Relações Públicas seguem conectadas ao seu tempo, preservando sua identidade, sua ética e sua relevância estratégica no Brasil.

Leia também:

RN 132 – Relações Públicas, cursos conexos e atividades de Comunicação: https://conferp.org.br/rn-132-relacoes-publicas-cursos-conexos-e-atividades-de-comunicacao/

Relações Públicas, ensino superior e mercado: Entenda a RN 132 dos cursos conexos
https://conferp.org.br/relacoes-publicas-ensino-superior-e-mercado-entenda-a-rn-132-dos-cursos-conexos/

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